Incontinência urinária

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Incontinência urinária


Enurese
Autor: Juliana Schulze Burti

Enurese - O que é e como tratar.

Enurese

O que é e como tratar


DEFINIÇÃO:


A enurese é definida como a perda involuntária de urina durante o sono em crianças acima de 5 anos de vida,  atingindo 15% a 20% dessa população.

A enurese noturna monossintomática é a mais comum. Nesse tipo a criança não perde urina, nem tem urgência ou micções interrompidas durante o dia.

A enurese primária é aquela em que a criança nunca  passou um período maior que 6 meses sem urinar na cama.

CAUSAS:  

Existe um componente hereditário como causa da enurese. Quando o pai e a mãe tiveram enurese, a chance do filho também apresentar é grande, aproximadamente 70%. Se só um dos pais apresentava o risco é menor, por volta de 40%.

Mas somadas ao fator hereditário estão as influências do meio ambiente.

Durante a noite ocorre redução da produção de urina, para que a capacidade total da bexiga não seja ultrapassada e a inibição do músculo da bexiga possa acontecer.

Quando a bexiga fica muito cheia, atingindo sua capacidade, a criança deve acordar e o reflexo de micção deve ser inibido, para dar tempo de ela se levantar e chegar ao banheiro.  

Crianças com enurese têm mais dificuldade em despertar que crianças sem enurese.

Algumas outras situações podem colaborar para a existência da enurese: constipação intestinal, poliúria provocada pela diabetes melito, ou mesmo alguma disfunção neurológica.

Fatores psicológicos também podem estar associados, como separação dos pais, abuso sexual, entre outros traumas.

DIAGNÓSTICO:

Além de uma anamnese muito bem feita, com todos os dados pessoais e médicos é importante que a criança faça um diário miccional.

Nele os pais junto com a criança descreverão os hábitos miccionais e de ingesta hídrica e de alimentos  para que se possam fazer mudanças comportamentais. Em alguns casos a simples mudança de hábitos traz enormes benefícios

Na primeira consulta o urologista faz um exame físico detectando possíveis anormalidades anatômicas e neurológicas.

Deve ser pedido também exame de urina tipo I, para afastar a presença de infecção urinária e/ou presença de diabetes..

Quando há dúvidas o médico ainda pode solicitar outros exames, como avaliação de fluxo urinário ou ultra-sonografia de vias urinárias.

TRATAMENTO  

O tratamento da enurese noturna na criança é recomendado normalmente a partir dos 7 anos de idade, quando se espera que já tenha havido maturação.

Ele envolve vários fatores:

Mudanças comportamentais

Baseando-se na história e no diário miccional são feitas mudanças nos hábitos da criança. Não é indicado que as crianças fiquem muitas horas sem urinar durante o dia. Deve-se orientá-la a urinar de 3 em 3 horas durante o dia (com horário marcado). Durante o dia é importante que ela beba líquidos e coma alimentos com fibras, para melhorar a evacuação

Durante a noite é melhor evitrar ingesta elevada de líquidos.

Fisioterapia

O fisioterapeuta trabalhará  com exercícios para conscientização e fortalecimento do assoalho pélvico, juntamente com as orientações comportamentais citadas acima.

Durante as sessões são usadas figuras explicativas, além do biofeedback, que proporciona à  criança o entendimento da musculatura do assoalho pélvico, que tem papel importante no auxílio à inibição do reflexo miccional.

Participação familiar

O envolvimento da criança e dos pais no tratamento é fundamental. Algumas vezes o tratamento pode demorar. É necessário que os pais tenham paciência e colaborem em incentivar a criança às mudanças de hábitos propostas, e que não a façam sentir-se culpada quando molha a cama.

No caso da enurese secundária, onde as perdas noturnas não aconteciam, e começam a ocorrer após algum evento como separação, mudança de escola e etc., muitas vezes é preciso procurar ajuda de um psicólogo habilitado.

Alarmes

Aproximadamente 40% das crianças que usam o alarme apresentam melhora. O tratamento deve ser feito por 2 meses e necessita da participação dos pais.

As crianças que tem dificuldade de despertar são as que apresentam menos sucesso nesse tipo de tratamento.

Medicamentos  

Medicamentos antidiuréticos (desmopressina), usados à noite , por via oral ou intra nasal.

Drogas Anticolinérgicas, usadas nos casos de hiperatividade da bexiga e quando o tratamento conservador ou com antidiuréticos não foi eficaz. 

Juliana Schulze Burti
Fisioterapia em Urologia, Ginecologia, Postura e Bem-estar
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